Nossa infelicidade é fruto da comparação

Dentre tanto lixo que cai diariamente no meu Instagram, às vezes, mas muito raramente mesmo, aparece algo interessante que traz algo de bom e que fica.

Assim foi o post do psiquiatra Luis Eduardo Xavier @dreduardoxavier, em que ele nos provoca com o título acima, pegando um gancho na bem bolada propaganda da cerveja Amstel Ultra.

Do início ao final do reclame, pessoas em cenas do cotidiano, de celebridade às pessoas comuns, demonstram o sentimento de insatisfação ao comparar a própria vida com a do outro e perceber que o lhes falta está no outro.

Apesar de conotar a não confessável inveja, um sentimento rasteiro e feio, o terceiro dos sete pecado capitais, quero crer que esse sentimento seja também instintivo.

Por ter o joelho direito bichado, com osteoartrose grau 4, cujas soluções são uma prótese completa do joelho ou pedir a Deus para nascer de novo e desta vez eu zelar melhor da minha preciosa articulação, tenho a tendência de observar os joelhos das pessoas como a primeira parte do corpo que noto nelas.

Se antes, quando a minha testosterona estava no pico, observava em primeiro plano peitos e bundas. Hoje em dia, tanto em homens e mulheres, a minha parte preferida são os joelhos…

Pôxa que inveja, como o danado dobra bem! É muito alinhado, nem valgo, nem varo! Com um desses eu ia ganhar todos os jogos de tênis no Iate Tênis Clube da Pampulha.

Há alguns anos, ao sair da clínica Urológica após a minha última biópsia da próstata, muito abatido, peguei um engarrafamento tão grande na avenida Afonso Pena de volta para casa, daqueles em que os motoristas passam de irritação a aceitação depois de meia hora parados na via. 

Desliguei o motor, abri as janelas do carro, olhei em volta e pensei:

– Será que somente eu, estou neste engarrafamento gigante na aflição de receber o resultado de biópsia da próstata? Garanto que a maioria das próstatas desse engarrafamento estão saudáveis … que inveja meu Deus!

No tempo de Engenharia Química na UFPR, eu tinha um colega, o Karl, que era apaixonado pela Lígia que também era da nossa sala. Nas festas, já de porre, ele falava para mim:

– Rui, você é gordinho, mas pode emagrecer e ficar bonito e atraente. Já eu, a Lígia nunca vai me querer por ser CARECA ! buááááá ( Naquele tempo não havia ainda o transplante capilar e nem o Minoxidil e Finasterida )

Por outro lado, essa inveja branca, como gosta de suavizar o meu amigo Cristiano, se bem canalizada pode até ser produtiva: A moça do ônibus que invejou a liberdade e a rapidez do ciclista, poderia se inspirar nele, tomar uma atitude positiva e passar a utilizar a bicicleta como meio de transporte.

Eu, como sou um totalmente anônimo na multidão, o fato de me ignorarem em locais públicos é natural e até esperado. O contrário disso é que seria preocupante:

– Será que engordei tanto assim, meu Deus?

– Vichiii… será que nunca viram um japonês na vida, não?

Por outro lado, para celebridades como o ator Tom Cruise, o anonimato é um valor. Por certo, ele já deve estar cansado de ser parado a todo momento nos locais públicos do mundo para autógrafos e fotos e ser perseguido pelos paparazzi.

Até hoje, depois de 5 anos desde que me aposentei do mundo corporativo, ainda recebo mensagens de amigos e colegas invejando o fato de eu estar na vida boa, como dizem eles. Para que eles se sintam melhores, eu também os invejo e muito, principalmente nos meses de março e abril, quando cai na conta corrente deles o polpudo bonus anual! Ai que saudade!!!

O fato é que sempre vai faltar algo para a satisfação plena das pessoas, sejam anônimos, celebridades, ricos, pobres, letrados ou analfabetos.

Mais uma vez, o comercial do Nadal me surpreendeu ao finalizar:

Quando você deixa de se comparar com os outros, descobre o que te faz único.

Então a dica talvez seja:

Seja feliz com o que se tem e o que se é, siga em frente, sem olhar para os lados e tampouco para cima ou para baixo!

Rapaiz, fiquei até vontade de provar uma Amstel Ultra! hehehe

Rui Sergio Tsukuda – janeiro/24

https://aposenteidessavida.com/

3 comentários em “Nossa infelicidade é fruto da comparação

  1. A grama do vizinho é sempre mais verde, não é mesmo Rui. E isso ai, vamos nos valorizar! Temos muitas coisas boas que as vezes não percebemos, ou até mesmo negligenciamos. Pode até parecer meio piegas, mas você tem que competir com você mesmo, esqueça os outros! O importante é ser feliz não importa se você torce pro Corinthians! (Tenho muitos amigos corintianos, que apesar disso são boa gente! kkkkkkk). Grande abraço e vamos que vamos!

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