Neste mês de dezembro ao fazer 60 + 1, percebi que a fase de exibir orgulhosamente a minha credencial de estacionamento de idoso já passou e embarcar como prioridade em avião perdeu a graça. Virou carne de vaca como dizia meu pai, seu Mário.
Aqui no meu bairro em BH, tem tanto idoso, que finjo ter menos de 60, só pra pegar uma senha regular com as recepcionistas, porque a fila dos véios só aumenta! Credo!
Agora o que só diminui, são as jabuticabas da minha bacia que ganhei do escritor Rubem Alves.

Perceber que tenho bem mais passado que futuro, me permitiu fazer alguns ajustes nas minhas relações pessoais:
Não perco mais tempo com gente xarope e tóxica, ficando sempre a uma distância segura delas com duas rotas de fuga, no mínimo.
Ao mesmo tempo, estou resgatando alguns amigos especiais que não sei porquê nos desgarramos na procissão, como o meu amigo Waldir de Sorocaba.
Definitivamente, não tenho mais tempo a perder…
Falando em tempo, será que só eu estou percebendo que o tempo tem passado rápido demais?
O Natal de 2024 foi ontem e outro já está chegando!

Ou é coisa da idade, ou de idoso júnior?
Subjetivo ou não, o fato é que a cada ano que passa, o friozinho na barriga principalmente dos 60 + que estão na fila só aumenta… A gente vê apreensivo o pessoal lá na frente da fila dando o seu último passo em direção ao precipício; ou seria ao paraíso?

Poxa, ela parecia tão bem na semana passada… Tão nova, nem tinha 75 ainda…
Tem os que preferem ignorar esta realidade, fingindo para si mesmos que não é com eles. Alguns preferem passar o tempo com um Sudoku à mão, outros ainda se concentram apenas no próximo passo de tão tensos que estão.

Já eu mal disfarço a minha ansiedade, puxando conversa com quem está à minha frente e também com quem está atrás de mim na fila, no afã de dividir com alguém a nossa triste condição humana – ou como minha mãe, dona Mariko, dizia: miséria humana – apenas para ouvir delas:
-É mesmo, sabe que você tem razão!
Mas infelizmente ou felizmente, a maioria dos que estão nessa fila não tem tempo para divagar e flanar como eu, tão compenetrados que ainda estão em ganhar o pão suado de cada dia.
Como disse a belíssima escritora Lya Luft um dia:
“Todos estamos na fila”
Estejamos conscientes ou não desta dura realidade.
Enquanto a dona Morte da Lya não chega, a gente produz algo, se reproduz e faz também um montão de coisas boas e outras nem tão virtuosas assim, porque no fundo, o que todo mundo quer nesta vida é ser feliz, nada menos que isso e cada um do seu jeito.

Tom Jobim e Luiz Bonfá nos contaram numa canção que a felicidade é:
“Como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve, mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar”
Eu sempre entendi a felicidade ser tão subjetiva quanto o amor.
Mas a ONU avalia a felicidade a partir de indicadores econômicos e sociais bem concretos, como confiança nas instituições, percepção de corrupção e distribuição de riqueza.
Baseado nestes quesitos, a Finlândia há mais de uma década, é considerada o país mais feliz do mundo.
Entretanto, no post da DW abaixo, confirma a complexidade que é definir felicidade, seja para uma pessoa, quanto mais para um país.
Viver num país com distribuição de renda, segurança, justiça social, onde tudo funciona não é garantia de felicidade a ninguém!
Tampouco, num país sem esses predicados, não significa que a pessoa estará fadada a uma infelicidade eterna.
Mas ainda bem que Maslow continua atual, pois ninguém é feliz sentindo fome e frio..

Num falei que a felicidade é um tema subjetivo e complexo?
Entretanto, vou me arriscar aqui a dizer que felicidade são pequenos drops de uma energia gostosa inexplicável, metafísica até, pessoal e intransferível!
Intensa, mas frágil como um segundo.
Então, intercalando momentos felizmente felizes com outros infelizmente infelizes e a maioria absoluta de momentos mornos, sem nenhuma graça, vamos Tocando a Vida em Frente como cantaram Almir Satter e Renato Teixeira.
Porque desistir, não é opção!
Eu não descobri ainda em qual missão eu me voluntariei antes de nascer, mas como um bom soldado disciplinado vou cumpri-la com louvor até o fim!
A palavra Atalho não existe no meu vocabulário. O que iriam dizer de mim os meus ex- colegas do CVV?
Não sei porque, me veio agora a canção O Melô do Marinheiro de Herbert Vianna…
“Entrei de gaiato no navio (oh)
Entrei, entrei
Entrei pelo cano
Entrei de gaiato no navio (oh)
Entrei, entrei
Entrei por engano
Aceitei, me engajei
Fui conhecer a embarcação
A popa e o convés
A proa e o timão
Tudo bem bonito
Pra chamar a atenção
Foi quando eu percebi
Um balde d’água e sabão
‘Tá vendo essa sujeira
Bem debaixo dos seus pés?
Pois deixa de moleza
E vai lavando esse convés
Entrei de gaiato no navio (oh)
Entrei, entrei
Entrei pelo cano
Entrei de gaiato no navio (oh)
Entrei, entrei
Entrei por engano”
Exageros à parte….
Viver continua sendo uma experiência fascinante e ter nascido nos anos 60, foi um bonus a mais que ganhei de Deus!
Ter podido vivenciar a revolução tecnológica digital desde o sistema FORTRAN até a IA e poder acompanhar as mudanças nas relações sociais e costumes, oriundas dessa revolução, tem sido muito interessante, sem contar poder usufruir da evolução da medicina e sobretudo das vacinas.
Bora continuar comigo nessa aventura?
Entretanto, noto com certa tristeza, jovens reunidos nas confraternizações de final de ano nos bares e restaurantes de BH com seus celulares à mão registrando tudo, oscilando entre uma presença mais virtual que real, postando on line nas redes sociais o que não se é, e o que não é seu e genuíno, num movimento automatizado de manada, em busca de aprovação através de likes e emojis, de alguém que nunca se viu mais gordo nesta vida.
É… Não tem almoço grátis! A rapadura é doce, mas nao é mole …
Desejo de coração a todos os meus queridos leitores um Feliz Natal e um Venturoso 2026 com muita paz e saúde!
Um forte abraço do
Rui Sergio Tsukuda – dezembro/25
http://www.aposenteidessavida.com
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Abraços Rui! Estamos no mesmo barco! Ótimo final de ano e melhor ainda para o ano que logo logo chega!!!
Em sex., 12 de dez. de 2025, 08:42, Aposentei Dessa Vida, Agora Dirijo
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Obrigado prima pelo comentário ☺️
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Meu cronista querido! Caramba Rui, que saudades estava das suas deliciosas divagações.
Olha, uma coisa concordo com você, não tenho consiguido acompanhar o tempo – estou sempre tentando empatar com o relógio, na maioria das vezes eu perco. O fim de 2024 foi mesmo agorinha, e cá estamos de novo diante do Papai Noel.
Admiro seu lirismo e olhar para a vida.. assim você levará todo o seu tempo com outro colorido – e certamente esticá-lo.
Também em sintonia contigo, muitas vezes não entendo comportamentos humanos já definitivos, como a dependência das redes, um mal voraz ao nosso bem-estar e legítima presença nesse mundo.
Certamente saí mais leve do que entrei aqui. Obrigado, meu amigo!
Mesmo em meio à doideira das incumbências da vida, você está sempre na minha estima e lugar especial de lembrança.
Feliz Natal e que suas jaboticabas sejam doces em 2026. Quem sabe, dividiremos algumas!
Abração, grande Rui!
Fábio
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Olá Fábio, muito obrigado pelo seu comentário.
Não esqueça que você é o padrinho do blog. Sem você as minhas divagações permaneceriam inéditas e dispersas. Muito obrigado
Temos, apesar de gerações distintas, um olhar para a vida e o mundo muito parecido.
Espero que mais pessoas assim , fora da manada, juntem-se a nós.
Ótimo final de ano e um próspero 2026
Forte Abraço
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É meu amigo, o tempo não perdoa! Estou quase chegando aos 70, daqui a 7 meses!!! Eu me considero um privilegiado por ter nascido no final dos anos 50, passei minha infância acompanhando o nascimento da Jovem Guarda, da Tropicália, Beatles e as músicas sertanejas raízes. Sim sou muito eclético! Sem radicalismos!!! Eu acredito que não existe nada absolutamente bom e nem absolutamente mau; sempre vamos estar em uma escala variando um pouco pra um lado, um pouco pro outro lado. Imagine que coisa chata seria se tudo fosse sempre igual! Existe uma lei natural, que é a variabilidade, tudo na vida varia (uso isso nos meus treinamentos de Estatística), o segredo é não se deixar abater pelos momentos maus, e também não deixar subir à cabeça os momentos bons. E vamos tocando em frente, como a música do Almir Sater e do Renato Teixeira:
Ando devagar
Porque já tive pressa
Levo esse sorriso
Porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte
Mais feliz quem sabe
Só levo a certeza
De que muito pouco eu sei
Eu nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
Todo mundo ama um dia
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
E no outro vai embora
Cada um de nós
Compõe a sua história
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz
Um Feliz Natal prá você e família e um Ano Novo com muita saúde!!! O resto não tem pressa!!!!
Grande abraço!
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Oi Montoro, obrigado pelo comentário amigo.
Um feliz Natal para você e sua família
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