Felizmente mais um dezembro chegou na minha vida. Só isso já seria um bom motivo para comemorar. Estar vivo e com saúde é uma benção de Deus! A minha asma com aquela tosse sem fim que me incomodou no primeiro semestre, desapareceu da mesma forma que chegou. Já a dor no meu quadril esquerdo sumiu também, mas nesse caso, com o uso de anti-inflamatórios de última geração e muita fisioterapia, juntos.
Agora entro na quadra de tênis determinado a ganhar os jogos! Essa é a expectativa, embora a realidade tem sido bem dura comigo… Em quadra, quase esqueço que tenho osteoartrose no joelho direito grau 4, até que o meu adversário me dá uma bola curtinha.

Aqui em BH, ainda não se acenderam as milhares de luzinhas chinesas nas árvores das avenidas principais da cidade e da Praça da Liberdade, que confirmam para mim que o Natal está próximo. Mas outros sinais de que o Papai Noel está a caminho começam a ficar evidentes por aqui.

Nas ruas, alguns flanelinhas já começaram a usar os seus gorros vermelhos de Papai Noel, que ficaram guardados no armário desde o Natal passado. No comércio, os funcionários já ensaiam colocar as caixinhas de Natal em local estratégico à vista dos clientes, decoradas com papel colorido com motivos natalinos, todos à caça de uma contribuição mais gorda dessa época do ano e apostando num repentino surto de generosidade das pessoas.
As lembranças que eu tenho do Natal da minha infância não são nada boas. A minha mãe, a dona Mariko, sempre odiou o Natal, desde o falecimento da minha vó que ocorreu no finalzinho de 1973. Desde então, chegava dezembro, ela ficava muito triste e ensimesmada. Por outro lado, o seu Mário, meu pai, nos compensava fazendo para a ceia de Natal, o seu tradicional assado de leitão quase pururuca com inarisushi, makisushi e tsukemono takuan de nabo amarelo.

O brinde na nossa noite de Natal era sempre com o tradicional champagne sidra Cereser. Fiquei sabendo que a sidra Creser era FAKE e que nada tinha a ver com o champagne autêntico, quando já era adulto. Quando provei um champagne de verdade, achei o trem mais sem graça do mundo! Vocação minha de ser pobre mesmo, como diria a Virgínia. Para mim, a sidra Cereser sempre vai ter o gostinho de Natal no meu coração.

Nas poucas vezes em que a matriarca de casa se animava, passávamos o Natal na casa das irmãs dela em Londrina ou São Paulo. Mas as minhas lembranças dessas festas em família não são nada boas também, porque quase sempre dava barraco…
Lembro do Natal de 1977 em Londrina. Já era noite na véspera de Natal, uma das tias fez inadvertidamente um comentário curtinho e verdadeiro de que minha mãe era muito controladora e nunca deixava o Mário pescar com os amigos. No mesmo instante, a dona Mariko ficou brava como uma galinha com pintinhos de um dia, e sem responder à minha tia, gritou:

– Mario, junte os meninos e vamos embora daqui AGORA!
-Mas Mariko, já é quase Natal, os meninos estão tão felizes brincando com as primas…
Ordem dada, ordem executada!
Em dez minutos já estávamos todos no carro partindo em direção a nossa casa em Maringá. Quando chegou meia noite, ainda estávamos na estrada. Meu pai ligou a seta do nosso Corcel amarelo 1973 e entramos no Posto Yokode.
Lá meu pai procurou pela melhor mesa do salão do restaurante, que praticamente estava vazio, e improvisou a nossa ceia de Natal com a comida carregada que ganhamos da minha tia e a sidra Cereser que não poderia faltar. Assim foi o meu inesquecível Natal de 1977. Jurei para mim mesmo nunca mais passar a noite de Natal num posto de gasolina à beira da estrada, é muito sem graça e ninguém merece!
A minha mãe era tão fêmea Alfa da alcatéia e o meu pai fazia tão bem o seu papel submisso de Zangão sem ferrão da colméia, que quando a minha mãe faleceu há três anos, eu avisei para o meu pai numa audio conferência que fizemos logo depois do velório dela:
– É seu Mário, o seu sossego aí no céu terminou… Se prepara que a Mariko tá subindo! A sua chapa vai esquentar! hehehe
Durante muitos anos, eu pensei que barraco em Natal era só na minha família, mas depois percebi que Papai Noel, peru Sadia, panetone Bauducco e champagne ou sidra Cereser, é uma mistura explosiva em muitas famílias também.
É aquela máxima: Se no seu Natal em família nunca deu B.O, um dia vai dar!
Com a chegada dos agregados à família então, é mais um ingrediente que convida para o desastre, pois é uma multidão de egos, diferentes energias e diversidades reunidas num só lugar e respirando o mesmo ar. Qualquer faísca de um comentário sem intenção, como o da minha tia, a coisa explode no ambiente, cujo ar já está impregnado de muito álcool.
Toda família tem ou terá um cunhado ou concunhada do tipo espalha rodinha, além das tradicionais noras que não toleram sogras e vice-versa. Para piorar, os parentes que até então se toleravam, a trégua terminou nas últimas eleições com a briga nos grupos de ZAP, uns defendendo o Lula, outros o Bolsonaro. Doravante, todos entram na festas em família armados com a foice e o martelo ou o revólver nas mãos.
Mas passado o Natal, no hiato até o réveillon, vem a calmaria. Se no Natal há uma obrigação de se reunir em família. No réveillon, essa obrigação não existe tanto assim e cada um pode relaxar e ser convidado a uma reflexão sincera do ano que está para terminar. É o momento de avaliar o ano que passou, o que se fez de útil além de poluir o mar, a terra e o ar. Alguns divagadores como eu, saem do seu quadrado e flanam por aí pelo mundo afora…
Lembro que a invasão na Ucrânia pela Rússia, apesar de sumir da mídia nos últimos tempos, continua intensa e sem data para terminar. Em Gaza, milhares de crianças vão passar esse Natal especialmente tristes e sem esperança. Já os reféns estrangeiros e israelenses do Hamas, vão chorar de saudade de suas famílias, sem saber se serão libertados, torturados ou executados.
Alguém poderá dizer que guerras, injustiças, mortes e atrocidades sempre houveram e deverão continuar existindo no mundo.
Por outro lado, não haveria como ter um movimento crescente da sociedade civil pela paz, que contaminasse os corações das pessoas mundo afora, como uma corrente do bem que aos poucos transformassem guerras em tréguas e depois em cessar fogos?
Mas percebo que nós estamos num mundo hedonista, viciados em dopamina e não saímos do entorno do nosso umbigo para nada, buscando o prazer instantâneo nos vídeos do Tik Tok ou Instagram e ficamos pistolas quando recebemos bons conteúdos, seja num textão no ZAP ou num audio de mais de 3 minutos.
Ficamos perdidos entediados quando estamos sem nada para fazer, aí pegamos o celular novamente e ficamos no loop dos vídeos de curtíssima duração que a inteligência artificial nos recomenda, passamos nos posts conferindo o número de curtidas e revisitamos os stories dos seguidores, sempre em busca desse prazer efêmero que vem em drops.
Nesse vai e vem sem fim, como “perder” preciosos 55 minutos e assistir ao ótimo documentário, Nascidos em Gaza do argentino Hérnan Zin ou os filmes Budrus de 2009, Boycott de 2021 e My Neighbourhood de 2012 da cineasta brasileira Júlia Bacha, que retratam a causa palestina com uma lente especial e singular ?

Para mim 2023 vai ficar marcado pela perda de um grande amigo Geraldo ou Lalado, que partiu sem se despedir da gente em Maio, deixando muita saudade em todos que conviveram com ele.
Com o pensamento nele, que certamente brindaria o Natal e a chegada do Ano Novo com o vinho Cantina da Serra, que ele tanto gostava, eu me despeço de vocês, desejando a todos um Ótimo Natal e um 2024 especial com muita paz e saúde, cheio de boas notícias e repleta de realizações pessoais!
Um beijo a todos
Rui Sergio Tsukuda – dezembro/23
https://aposenteidessavida.com/
É meu amigo, esse mundo tá virado mesmo. Agora é o Maduro querendo o petróleo de Essequibo!
Seria muito mais tranquilo se todos se dessem as mãos e acabasse de vez as guerras e conflitos! O mundo seria muito melhor prá todos!
Desejo a você e família (incluindo os agregados) um Natal muito cheio de paz e alegrias e um Ano Novo com muita esperança de dias melhores! Grande abraço!
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É mesmo Montoro, tem esse perengue bem pertinho daqui. Espero que a diplomacia dessa vez funcione.
Obrigado pelo comentário e retribuo os votos de Natal e Ano Novo.
Forte abraço 🤗
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Oi Rui, que bom receber sua crônica! Fim de ano é assim mesmo. Misto de tristezas e alegrias. Me emocionei, não tem jeito, sou chorona mesmo! Estamos em Brasília faz dias e aqui ficaremos até o dia 09/01 pra passar esse período com a família do Hugo e os pais da Ellen. Retornamos ao Paraná para o grande encontro das famílias Ogassawara , em Londrina. Tudo organizado e patrocinado pelos filhos do Mário Ogassawara. Vamos conhecer parentes que nunca vimos e reencontrar outros que faz tempo nem notícias temos. Rui, Virgínia, Mariana, Lucas e agregados, que o Natal e o Novo Ano sejam os melhores de suas vidas!! Abraços a todos!!!
Em qua, 13 de dez de 2023 10:57, Aposentei Dessa Vida, Agora Dirijo Empresa
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Oi Neide, que pena vocês não estarem em Maringá. Vamos lá a turma toda pro Natal e Réveillon .
Forte abraço a todos 😘
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Oi Neide, obrigado pelo comentário 😃
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2023 foi um ano complicado meu amigo, mas o pior é que 2024 tem chance de ser pior. Já pensou se o Trump ganha a eleição nos EUA? Vamos aproveitar esse natal e fim de ano. Um grande abraço!
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Oi Wlad, bora viver o momento, é o que a gente tem. Futuro é uma promessa.
Obrigado pelo comentário 😃
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