Viajar

Cada um tem os seus motivos porque gosta de viajar ou porque não gosta de viajar.

Sejam viagens nacionais ou internacionais, a trabalho ou lazer, para mim sempre a conta ao final fecha favorável à viagem. Assim que termina uma, já faço planos para a próxima aventura. Se for uma viagem internacional, melhor ainda.

Mas como gosto também da minha rotina nada fácil de aposentado em BH de natação/tênis/violão/canto/escrita/roça/pescaria, a minha inércia de preguiçoso entra em ação todas as vezes que vou viajar.

É como aquela placa que as concessionárias deveriam colocar em todas obras de melhoria nas rodovias:

– Motoristas, tenham um pouco de paciência, estamos trabalhando para em breve você ter mais conforto e segurança nesta rodovia. Não vale a pena esse investimento seu?

Pois é – Definir o roteiro, reservar o hotel, checar a validade passaporte, fazer o visto, trocar o dinheiro, fazer o seguro viagem, pedir o Wise, arrumar as malas, pegar o Uber até o aeroporto de CNF, fazer o check -in, despachar as malas, viajar por horas numa poltrona apertada de avião, pegar fila de banheiro, passar pela imigração, pegar o táxi e finalmente chegar ao hotel – é o ônus da viagem, que ainda tem a volta, não menos estressante.

Mas quem tem dinheiro sobrando, que não é o meu caso, pode escolher uma poltrona da classe executiva ou primeira classe pagando 4 vezes até 15 vezes o preço da passagem econômica, aí o ônus é bem menor.

Logo percebi que avião em vôos internacionais, é o local onde a discriminação social é escancarada e liberada. Aos passageiros da classe executiva e primeira classe, uma linda comissária abre um largo sorriso de boas vidas e lhe oferece de cara uma taça de champanhe francês, indicando o seu assento com toda a delicadeza do mundo.

Já quando você mostra a comissária o seu cartão de embarque e ela percebe que o seu assento é na ala do navio negreiro, o sorriso da mocinha some na hora…

Independente em qual classe é o seu vôo, o bônus da viagem começa já no táxi até o hotel.

Eu fico sempre igual a menino apreciando na janela do carro cada detalhe do novo lugar. Sempre haverá algum detalhe do país que lhe chamará a atenção, seja na vestimenta das pessoas, na limpeza do lugar ou não, na organização ou mesmo na falta dela.

Pela primeira em Londres em 1997, eu fiquei maravilhado com a mão inglêsa. Aquele look-right, look-left na faixa de pedestres para evitar atropelamentos, me encantou pela primeira vez que li.

De propósito, eu e Paulo, que viajou comigo a Londres, todas as vezes que víamos um Bentley, Ferrari ou Aston Martin, pisávamos na faixa de pedestres de propósito, só para fazer o carro parar o tirar uma foto do possante e depois tirávamos os pés da faixa liberando o carro a seguir.

Também cansamos de parar os londrinos na rua e perguntar:

What time is now? Please!

-Rui, como esse povo fala bem o inglês e são educados!

Coisa de moleques de 34 anos na época.

Tenho a impressão que quando eu viajo para fora do país, eu renasço, como se fosse uma catarse em movimento, um vício a um hormônio que precisa entrar na minha corrente sanguínea de tempos em tempos para eu me purificar.

Por isso eu entendo os tarados por viagens só aumentando no mundo todo. Percebo nos meus filhos, que eles não pensam em comprar um imóvel ou carro como eu fiz quando juntei por anos o meu primeiro dinheiro.

O negócio deles é viajar. O lema deles é:

A vida é aqui e agora!

Confesso que não o sou um turista padrão. Nos lugares que visito não me atraem as compras nas lojas ou nos outlets, os arranha céus de concreto, aço e vidro e tampouco os painéis gigantes de luzes multicoloridas nas fachadas deles.

O que me seduz são as pessoas!

Como gosto é de gente, gosto de conversar com pessoas de todos os lugares, fazer de um encontro casual, uma troca de impressões e experiências, mesmo que sejam breves.

Acho que saí feição à Dona Mariko, minha mãe, que era mestre neste assunto e logo estabelecia uma conexão com estranhos, independente de onde fossem.

Aqui no Japão, tenho conversado com estrangeiros do mundo todo e pouco com japoneses. O japonês fluente tem me feito muita falta, já que poucos aqui falam o inglês. E os patrícios, na sua maioria, são bem desconfiados e não dão lado para turistas, bom pelo menos para mim.

A minha próxima aventura será a Austrália. E já tem data: janeiro de 2026, que coincide com o Australian Open (AO) de Tênis.

Em Sidney, vamos visitar o meu estimado primo Daniel, que mora por lá e finalmente conhecer os filhos dele. Depois passar por Melbourne assistir ao AO, e  então vamos  a Perth, do outro lado deste país continente, visitar o meus queridos amigos Wlad, Guima e o Humberto, que tá muito ensimesmado e embotado.

E você já sabe quando e onde  será o seu próximo destino?

Rui Sergio Tsukuda – outubro/24

http://www.aposenteidessavida.com

4 comentários em “Viajar

  1. Rui meu amigo, você é uma pessoa iluminada! Viajar é tudo de bom, você deve curtir bastante! Eu também sou adepto à essa terapia. Agora em Novembro vou pra Oman visitar meu filho e nora, vamos passar o Natal por lá e voltamos antes do Ano Novo. Vamos aproveitar e conhecer um pais diferente, a Georgia!

    No mês passado fomos prá Disney levar nosso neto. Alguns amigos disseram : “Ele só tem 2 anos, não vai aproveitar”. Estavam redondamente enganados, o moleque aproveitou tudo e um pouco mais. A memória dele talvez não tenha consolidado alguns fatos para o futuro, mas temos os vídeos e fotos. Ele vai lembrar quando mostrarmos prá ele. E tem mais, o moleque já vai acostumando com viagens, aprendendo a curtir. Ele aprendeu algumas frases em inglês, como Thank you, Bye-bye, Hello e usou o tempo todo, pois ele é muito comunicativo. Acredito que estamos contribuindo com ele para reforçar o prazer de viajar, assim como fizemos com nossos filhos.

    Acredito que temos que aproveitar e viajar sempre que pudermos! Entender novas culturas, ver coisas diferentes, comer comidas diferentes. É uma experiência renovadora!!!

    Grande abraço!

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    1. Montoro, cê tem que levar seu neto ao Japão, já que ele tem sangue japonês também.
      Boa viagem! Geórgia e Omã, não faço ideia como sejam.
      Obrigado pelo comentário.

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