Me deparei hoje com essa enquete acima, num desses reels randomizados, que buscam bisbilhotar a vida da gente.
Deixando de lado o interesse nada genuíno, puramente comercial do entrevistador digital de IA, a pergunta me intrigou…
Se essa pergunta fosse dirigida a minha versão de 1976, a resposta seria uma Garelli vermelha, igual ao que o meu amigo Antônio Lombardi ganhou de Natal dos seus pais naquele ano, após uma boa colheita de soja na fazenda da família.

Ou talvez uma Caloi 10 sportíssima alaranjada, a top das tops do mercado, sonho de consumo dos meninos da sexta a oitava séries do primeiro grau do Instituto de Educação de Maringá.

Infelizmente o ter tudo na vida desse tempo faltou combinar com o meu pai, seu Mário, que trabalhava muito duro para nos sustentar como sócio de uma oficina de recuperação de cabeçotes de motor.
Então mesmo sem ter tudo na vida, a minha infância em Maringá foi o período mais feliz da minha vida. Talvez por ter sido um tempo mágico em que fui realmente livre, aliado ao fascínio de estar descobrindo a vida.

No lugar da Garelli e da Sportíssima, eu tinha apenas uma Caloi azul de entrada, fraquinha, de apenas uma marcha com guidom adaptado e repintado por mim de dourado com tinta spray, que eu andava sem medo em todo canto da cidade.
Já para o Rui de 1981, o ter tudo na vida era uma vaga nas 80 cadeiras da Engenharia Química na UFPR daquele ano e ser um dia, um engenheiro bem sucedido igual aos meus tios.
O Rui de 1993 já casado com a minha Virgínia, o ter tudo na vida ficou menos mesquinho:
Se o nosso primeiro bebê viesse perfeito e com saúde eu já teria tudo na vida. O sonho de ter a casa própria estava lá na nossa lista de desejos também, mas não era mandatório.
Lucas nasceu e logo em seguida veio a Fofa, ambos perfeitos e com saúde graças ao bom Deus. Com isso eu tinha tudo na vida duas vezes!

Os sonhos pessoais e de consumo, como carros e motos, passaram a ser supérfluos. O desejo de ver a minha família feliz era a prioridade. De repente, sem perceber, eu era um arrimo de família igual ao meu pai.
Interessante que casar e ter filhos, nunca planejei ou sonhei. Apenas aconteceu, como quem tira a carteira de motorista ou de identidade. Todo mundo fazia, então eu fiz também!
Se eu pensasse muito neste tema, talvez não tivesse feito. Não por um eventual arrependimento futuro, mas porque as chances de muita coisa dar errado são infinitas….
O fato de ser provedor, não me permitia mais ser inconsequente dos tempos de solteiro.
Então virei de repente, um tiozinho cagão aos 28 anos! Afinal eu tinha uma família que dependia de mim.
Nesse tempo, lembro que eu e Virgínia declinamos de uma boa proposta de uma empresa multinacional para emigrar para a Austrália! Nos faltou coragem, simples assim!
Às vezes eu penso como teria sido a nossa vida lá e como estaríamos hoje, caso tivéssemos tomado essa decisão.
Nós vimos como Nicolas Cage e Téa Leoni no filme um Homem de Família.

O fato é que os filhos cresceram e se tornaram independentes, num piscar de olhos. Apenas não saíram do ninho ainda, apesar de terem mais de 30 anos.
A nossa casa se transformou de uma casa de família convencional, onde teoricamente o pai e a mãe mandam e os filhos obedecem, para uma república de adultos, com direitos e deveres iguais. Meio esquisito, mas tá funcionando.
E continuamos unidos, isso é o que importa!
Já aposentado e agora apenas dirigindo a minha pequena empresa de sonhos, percebo que tudo que sonhei na vida eu conquistei!
Sou sem dúvida, um dos poucos privilegiados desse pequeno, grande planeta. Talvez por um misto de sorte, destino e alguma determinação pessoal, sei lá!
Então, o Rui de 2025 finalmente já tem tudo na vida?
Claro que não! Além de boa saúde com um bom controle da minha síndrome metabólica, eu poderia pedir ao Pai o milagre de um joelho direito novo ou um quadril esquerdo recondicionado, mas acho que aí já é pedir muito…
O Joãozinho, meu amigo que mora perto de um cemitério aqui de BH sempre me fala quando eu o encontro:
– Rui, acabaram de chegar aqui dois joelhos novinhos em folha… O rapaz morreu de infarto fulminante Pega o joelho direito procê!

O meu ter tudo na vida, assim como o seu, vai continuar a evoluir até a nossa partida!
Mas ainda é cedo para desejar o que Gilberto Gil disse numa entrevista recente aos 83 anos:
– Hoje o que eu desejo é apenas uma passagem tranquila!
E para você, o que é ter tudo na vida hoje em dia?
Vai aí um joelho novo também?
Rui Sergio Tsukuda – julho/25
Meu amigo e xará, lendo este seu post me lembrei de uma frase, meio piegas, é verdade, mas sempre atual: “Não tenho tudo que amo, mas amo tudo que tenho”.
Eu acredito que a nossa maior missão aqui na Terra é com os filhos, colocá-los em um caminho que acreditamos ser o melhor, e também com os netos, claro!
Falando nisso, tenho mais um neto, o filho do Flavio nasceu há 2 meses lá em Omã. O ruim é que só vou poder vê-lo no final do ano, mas faz parte, como dizia o filósofo.
Grande abraço!!!
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Montoro! A família tá crescendo parabéns! E obrigado pelo comentário.
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Há quanto tempo, meu amigo! Como está você?
Quanto ao texto mais uma viagem ao imaginário e você foi brilhante mais uma vez. Deus abençoe abundantemente a sua vida!
Grande Abraço,
Luiz Omar ________________________________
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Oi Luiz Omar, obrigado meu amigo! Grande abraço.
Continue passando por aqui.
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Oi Rui, você voltou, que bom!! Você tem uma família maravilhosa, fico muito feliz !! Meus pais , de onde estiverem, tenho certeza estão vibrando também!!
Pra mim só quero saúde, uma velhice feliz ao lado do Álvaro, fazendo brincadeiras com nossa neta Juju e ter a mente sempre ativa!
Abraços!!!
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Oi Neide, obrigado pelo comentário minha prima querida e fã número 1 do blog.
Maringá nos anos 70 foi especial para mim porque os seus pais foram meus avós que eu adotei e amei.
Curtam sua netinha !
Aqui… No começo de setembro vamos a Maringá, bora nos encontrar!
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Gostei da ideia onde o tudo vai mudando conforme a idade. Vou gostar de pensar a respeito
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Fico feliz que eu tenha provocado esta reflexão em você. Continue passando por aqui e obrigado pelo comentário.
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