Apocalypse now, mas não tão agora assim…

Ontem sem querer, eu estava zapeando pelas centenas de canais da TV e não sei explicar o porquê, mas parei no canal Discovery. Lá passava um episódio de uma  série documentário sobre astrofísica.

Sempre fico subindo e descendo pelos canais como um zumbi desolado, com o controle remoto na mão direita, em busca de algo interessante para assistir na TV. Na maioria das vezes a minha busca é inglória.

Já me dei conta há um bom tempo que a cada dia que passa, estou mais exigente e seletivo. Fico em dúvida se é coisa da minha idade ou se tem muito lixo na TV hoje em dia. Definitivamente, neste caso, quantidade não é sinônimo de qualidade.

Quando era menino, a gente só tinha três ou quatro canais na nossa TV preto e branco com tela verde, que seu Mário colocou para nos enganar e parecer um pouco com uma TV  colorida. Ao ligá-la religiosamente às 16 h sabíamos exatamente qual canal conectar e o que iríamos assistir.

Para quem não viveu esse tempo, a programação da TV iniciava no meio da tarde e os capítulos das novelas da Globo chegavam em rolos a Londrina via rodoviária, com dois dias de atraso pelo menos, em relação a  São Paulo e Rio de Janeiro.

Quando a tia Sumile, que morava em São Paulo, vinha nos visitar, a primeira pergunta para ela era:

– Tia, o que aconteceu nos últimos capítulos da novela das 8h ?

No documentário do Discovery, muito bem elaborado e rico em efeitos audiovisuais, aprendi que a Terra há milhões de anos atrás girava a uma velocidade bem maior do que é hoje, o que não permitia a vida no nosso planeta, devido às tempestades e ausência das estações do ano como conhecemos hoje.

Pelas colisões com inúmeros meteoros, houve a redução da velocidade de rotação, fato que propiciou a vida na Terra

A influência da Lua sobre a Terra vai muito além da conhecida regulação das marés e inspiração aos casais apaixonados…

A extinção dos dinossauros foi ocasionada pela queda de um meteoro gigante, que envolveu o nosso planeta em muitos anos numa completa escuridão, mas ao final, propiciou o surgimento dos mamíferos e a vida como conhecemos hoje.

Durante o documentário, percebi que são tantas as coincidências e acasos precisos, que não é possível estarmos aqui sem que não houvesse alguém como Menahem Pressler, apertando cirurgicamente as teclas do piano, gerando como produto final a linda canção Clair de Lune de Debussy.

Me assustei quando me dei conta que a nossa galáxia, a Via Láctea, irá se chocar um dia com a  galáxia vizinha Andrômeda, gerando uma terceira galáxia, ainda sem nome.

Neste dia haverão muitas luzes no céu, que não serão fogos de artifício de réveillon, para delírio dos astrofísicos entrevistados no programa.

A parte ruim é o nosso querido sol poderá ser expulso do nosso sistema solar, decretando o fim da vida na Terra.

Me desesperei quando ouvi que a nossa galáxia viaja a 300 km/ segundo em direção a um tipo de sumidouro do universo, que atrai todos os corpos celestes e que fatalmente a engolirá  um dia.

Finalmente me tranquilizei quando ouvi que tudo isso ocorrerá em alguns bilhões de anos.

Como daqui a 120 anos ninguém que vive hoje estará mais vivo, que diferença isso faria, pensando com o olho no meu umbigo e no seu?

Depois de ter ficado em estado mental alfa e levitado com o documentário, volto ao celular e me deparo com algumas notícias relevantes no site da UOL:

+Michele fica revoltada pelo fato do seu fusquinha ter sido revistado ao sair de casa.

+Gagliasso desabafa após ter sido cobrado por Piovani sobre Noronha.

+Ana Castela dá de presente PIX e moto para amiga de infância.

+Ana Maria Braga curte férias com marido na Europa, veja fotos.

Estou convencido que apesar nossa insignificância e brevidade em relação ao gigantesco universo, me assombra o nível de desenvolvimento e conhecimento que a humanidade chegou, apesar das nossas limitações.

Para isso várias gerações de gênios como Galileu, Newton, Tesla, Da Vinci, Curie, Einstein e tantos outros passaram por aqui, fizeram a diferença em relação aos mortais, deixando a sua contribuição para a humanidade.

Ao mesmo tempo, me revolta o emburrecimento coletivo do usuário final, que com tanta informação relevante disponível ao toque da tela, prefere saber qual tênis o Neymar usou na última balada ou os kilos perdidos do Gordão da XJ no mês passado…

Pobre humanidade, mas como disse Djokovic um dia:

It is what It is!

Rui Sergio Tsukuda – setembro/25

http://www.aposenteidessavida.com

2 comentários em “Apocalypse now, mas não tão agora assim…

  1. Oi Rui, a vida é um mistério, o nosso planeta é um mistério, o Universo é um mistério. Obrigada por compartilhar esses conhecimentos que vc viu na tv. Mas como desvendar o mistério maior de como alguém foi capaz de criar uma canção tão linda como Clair de Lune? Abraços Rui e família!!

    Em sáb., 13 de set. de 2025, 08:16, Aposentei Dessa Vida, Agora Dirijo

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